Empreender

Eu tive a oportunidade de assistir a uma das apresentações do paulistano Guto Ferreira, 35 anos, o título da palestra de Guto mais concorrida? “A Mentira do Empreendedorismo no Brasil”, um os pontos altos da fala de Guto é exatamente contra o empreendedorismo. Parece loucura, mas é isso mesmo. “As pessoas insistem em dizer que o empreendedorismo está dando certo no Brasil, mas isso não é verdade”, pontua. “Isso só vai acontecer no dia em que conseguirmos construir uma verdadeira cultura empreendedora, pois não existe transformação social sem educação.”

E para não dizer que vive da crítica e não da solução do problema, Guto vem direcionando ainda mais para a educação o trabalho do Confia Empreendedorismo – organização criada em 2001 para atuar como “banco social” e da qual é o atual CEO. Para ele, mais eficiente que apenas distribuir recursos ao microempreendedor é preciso capacitá-lo para lidar com ferramentas básicas de gestão. Nesta jornada, ele conta com inúmeros parceiros tanto na área empresarial, quanto nos bairros da periferia da cidade de São Paulo, base para a atuação do “banco”. Em 15 anos, mais de 40 mil pequenos comerciantes tiveram aulas de educação financeira, empreendedorismo e marketing pessoal.

Apesar de básicos (os cursos duram apenas de 8 a 12 horas), eles são vistos como um ponto importante no processo de qualificação dos clientes. Tanto que a partir deste ano, o Confia passou a oferecer os cursos mesmo para quem não pretende obter empréstimos. Para atrair especialmente as mulheres que incrementam a renda a partir da venda de produtos de alimentação, ele fez uma parceria com uma grande fabricante de eletrodomésticos, para entregar itens de cozinha como forma de ajudar no início do negócio. O objetivo é capacitar nove mil mulheres neste ano.

“A educação financeira é o nosso foco, porque se o dono do bar precificar o cafezinho de forma incorreta o negócio quebra em pouco tempo.” Mas ao tentar inverter a lógica que tem vigorado na relação entre agentes de microcrédito convencional (como os bancos de fomento e os bancos comerciais que apenas repassam recursos governamentais a juros subsidiados) Guto pagou um preço elevado.

O fim das parcerias com a Prefeitura de São Paulo e BNDES, em 2013, afetou o volume de recursos captados no mercado. Resultado, o Confia teve de fazer uma reformulação radical em sua estrutura a começar pela drástica redução no número de agências, de 31 para as atuais cinco unidades. O volume de desembolsos que já chegou a R$ 75 milhões, em 2011, atingiu R$ 12 milhões no ano passado. Mas Guto não desanima. Graças a uma parceria com o mercado financeiro o Confia terá até R$ 30 milhões para investir neste ano. Com isso, ele espera abrir mais sete agências até dezembro. Segundo o CEO do “banco social”, neste período de transição o público não foi perdido. “Atuávamos e continuamos atuando na base da pirâmide, onde a demanda é cada vez mais elevada. A diferença é que investimos mais em gestão”, explica.

Quem cuida do atendimento em todas as agências são funcionários arregimentados em bairros periféricos como Cidade Tiradentes, Jardim Ângela e Freguesia do Ó. Eles são treinados e a contratação é pelo regime de CLT. Pelo caráter social do empreendimento, a liberação dos empréstimos depende da formação de uma rede na qual são necessários quatro fiadores. A taxa de juros varia entre 2,5% e 3,9%, teto máximo definido por lei. “Não se trata apenas de uma transação comercial, mas sim de uma relação de confiança entre todos os agentes. Daí o nome Confia”, conta Guto. Isso explica porque a taxa de inadimplência, mesmo num período difícil, como o atual, é de apenas 3,1%.
Está aí um excelente exemplo que vem da classe média brasileira.

Concordamos com Guto
A falência programada do Estado brasileiro, força as pessoas da classe média a tomarem decisões que podem ou não fazer o Brasil crescer.
Hoje mais que nunca, é imperativo que o empreendedor exija dos administradores públicos toda liberalidade possível, governos federal, estadual e municipal devem facilitar a vida de quem quer produzir e não cortar e fechar portas, o brasileiro médio quer desenvolver e buscar a felicidade com seu trabalho e sua produção.

Grupo no Face sobre empreendedorismo
https://www.facebook.com/groups/378800855856915/

Renato Mendes de Andrade
MTB 72.493/SP

Você pode gostar...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.