Fome nos EUA em 2021

Desde que é pandemia começou Robin McKinney de 47 anos só consegue comida suficiente para si, um neto, e dois de seus sete filhos graças a instituições de caridade, ela cita os preços do supermercado: a carne subiu 25% em relação a 2019, os ovos estão 12% mais caros.

O alívio para a família de McKinney chega em uma caixa de papelão uma vez por semana com frutas, legumes, macarrão e arroz, ela conta que antes da covid-19 só de vez em quando a família precisava recorrer a esse tipo de ajuda, agora é toda semana.

A história de McKinney e se tornou a mesma de cerca de 26 milhões de adultos nos Estados Unidos depois de março desse ano, estes são dados do censo americano de novembro de 2020, é isso mesmo, 26 milhões de americanos dizem não ter tido alimento suficiente pelo menos uma vez na semana anterior, na pesquisa eram 19,5 milhões no período pré pandemia.

 

Eu sou a Mariana Sanches correspondente da BBC News Brasil em Washington e nesse vídeo eu conto para vocês como no país mais rico do mundo a fome é hoje um grave problema social.

Pode parecer uma contradição, mas, especialistas com quem eu conversei enumeram um conjunto de fatores que explicam o quadro.

A pandemia que já matou mais de 330 mil americanos desembarcou em um terreno com alta desigualdade e o sistema de serviços sociais pouco robusto; Nessas condições o número grande de pessoas que estava na margem da rede de proteção foi lançada para fora dela tão logo a doença e a recessão assolaram o território americano.

Vai ser difícil que o recém aprovado pacote de Auxílio Federal possa melhorar muitas coisas, e eu vou explicar o porquê:

Segundo a Feeding America maior organização americana de combate à fome, com mais de 200 bancos de alimentos espalhados por todo o país, quando crianças e adolescentes são incluídos na conta o número de pessoas em insegurança alimentar nos Estados Unidos pode chegar a 54 milhões, ou um em cada seis habitantes do país, esses dados são comparáveis apenas com que os Estados Unidos enfrentaram durante a grande depressão de 1929

O ano de 2020 encerrou um ciclo de prosperidade tanto para Robin McKinney quanto para o país dela que tinha crescimento sustentado e pleno emprego antes da pandemia, depois de viver na rua com 7 filhos em 2017 McKinney conseguiu emprego de motorista e financiamento para comprar uma casa, atualmente ela comemora ter mantido o emprego como agente comunitária, o que a faz estar em condição melhor que muitos de seus vizinhos desempregados no bairro mais pobre de Washington DC.

No segundo trimestre de 2020 os Estados Unidos mergulharam numa recessão, uma queda da economia de 32,9%, e a taxa de desemprego passou de 3,5% em fevereiro deste ano para 14,7 em abril, ainda em março o congresso americano aprovou um pacote de socorro á economia de 2,2 trilhões de dólares.

A ajuda previa pagamentos individuais de $1200 para milhões de pessoas, além de auxílio desemprego e interrupção de cobrança de dívidas estudantis e de ordens de despejo, tudo isso não impediu que muita gente dependesse da caridade ou mesmo passasse fome já que muitos não conseguiram acesso aos benefícios.

Para piorar aquele primeiro pacote de ajuda acabou e a administração Federal atrasou em meses uma nova edição da medida, em meio à campanha eleitoral presidencial Republicanos e Democratas não concordavam sobre o tamanho do auxílio a ser ofertado a população, os Republicanos defendiam auxílio mais enxuto os Democratas queriam ajuda mais polpuda.

Cori Bush congressista americana Democrata expressou sua frustração com o presidente Trump e os colegas do legislativo nas redes sociais: 43 milhões de pessoas correm o risco de ser despejadas já que a moratória do aluguel vai espiar, eu vivi em um carro com meus dois bebês por meses, eu preparei uma madeira em um banheiro do McDonald’s, se as nossas lideranças entendessem essas dificuldades como eu entendo não haveria debate sobre a extensão do auxílio.

Quando finalmente um acordo bipartidário foi alcançado o pacote de cerca de 900 milhões de dólares foi enviado ao presidente Donald Trump para assinatura na véspera de natal e aí enperrou outra vez, Trump chamou o pacote negociado por seus correligionários de desgraça. Ele disse que pagamentos previstos nas instituições culturais e auxílio a países estrangeiros eram desnecessários e que queria que os cheques para os americanos necessitados fossem de $2000 e não de $600 como previsto agora, e ameaçou não sancionar a lei.

No último dia 27 no entanto o mandatário derrotado na última eleição presidencial assinou a lei depois de ser pressionado pelos próprios Republicanos que disputam com os Democratas dois acentos no senado no estado da Geórgia no começo de Janeiro e Podem perder a maioria na casa Legislativa se não vencerem esse pleito.

Os Democratas pressionam no legislativo para aumentar o cheques dos $2000 mencionados por trump, mas é improvável que os republicanos topem isso, os especialistas vem no socorro federal um passo essencial para evitar que a situação se deteriore ainda mais, e mais rápido para famílias americanas já vulneráveis, mas não apostam que esse segundo pacote bem mais enxuto que o primeiro possa conter a crise social.

Iana Baias diretora de serviços voluntários de uma entidade chamada United Planning Organization, que atua há mais de 50 anos com família de baixa renda na capital americana afirma nunca ter visto tanta necessidade antes.

Grande parte do mundo olha para os Estados Unidos e vêem um país de grandes oportunidades, mas essa também é uma terra com muita desigualdade, e há comunidades que se parecem mais com áreas pobres do Brasil do que com essa imagem de Estados Unidos que se tem.

Os números confirmam que eu tô dizendo, de acordo com os dados do censo americano lares latinos ou negros como de Robin McKinney tem entre duas e duas vezes e meia mais chances de sofrer com insegurança alimentar do que domicílio de brancos, uma em cada cinco casas de famílias negras enfrenta a fome.

Hoje nos Estados Unidos o desemprego também atinge de modo desigual, há quase duas vezes mais homens negros sem trabalho do que brancos em 2020, e nesse contexto o sistema de Seguridade Social americano parece insuficiente.

O auxílio desemprego é um exemplo, antes da pandemia apenas 9% dos desempregados no estado do Mississipi conseguiram acesso ao benefício, no estado de Massachusetts com maior cobertura do tipo pouco mais da metade das pessoas sem emprego podia recebe-lo; Embora tenha expandido alcance do seguro-desemprego os pacotes de alívio não garantiram que essa renda chegasse a todos os que perderam os empregos.

Além disso, diferente de outros países ricos os Estados Unidos não tem benefícios como creches públicas e assistência médica universal gratuita, no orçamento de uma família pobre americana o peso desses serviços esgota a renda.

O principal programa de auxílio no combate à fome popularmente conhecido como Foods Temps ou vale-refeição é uma verba destinada à famílias de baixa renda para que comprem itens como carne, vegetais e cereais, o pacote assinado por Trump no último domingo prevê que 13 Bilhões de Dólares irão diretamente para esse tipo de vale.

Diferente do bolsa família que é um programa de transferência de renda o dinheiro do Foods Temps só pode ser usado na compra de comida o que deixa de fora uma série de necessidades que famílias pobres podem ter em relação a outros itens.

Diante da falta de comida especialistas relatam os sentimentos de desespero, vergonha e tensão que tomam os lares americanos.

Os Estados Unidos terão que encontrar uma saída para equação que os faz tão ricos e tão pobres ao mesmo tempo. É isso pessoal até a próxima tchau.

Robin

‘Antes era só de vez em quando que eu precisava desse tipo de ajuda, não toda semana como agora’, relata Robin McKinney

Por Renato Mendes de Andrade

@renatoglobol

Olá, meu nome é Renato Mendes de Andrade, Nick name @renatoglobol. Sou jornalista MTB 72493/SP – Nasci em Olímpia – SP. Trabalho e resido em Barão Geraldo - Região Metropolitana de Campinas - SP. Dirijo a GLOBOL - hospedagens de sites, manutenção de servidores Big Data e Redes Windows e Linux. Sou proprietário do Guia Barão Assessoria e Auditoria de Imagem, presto serviços de comunicação para pessoas físicas e jurídicas, consultoria de imagem na internet para políticos e pessoas publicas. Sou editor chefe do Jornal Ambiente. Com escritórios em Paulínia e em Campinas aqui no estado de São Paulo. Mais que ser o responsável pelo editorial, crio soluções web, soluções impressas e multimídia para terceiros.

1 Resultado

  1. @renatoglobol disse:

    Até bem próximo dos últimos dias da grande queda de Roma o governante de plantão distribuía uma versão de cesta básica de alimentos aos mais pobres de esquecidos do povo, e nem mesmo isso impediu a destruição do império Romano e a inserção da Europa na idade das trevas. A necessidade de um grande reset financeiro mundial a exemplo de 1945, ou mais uma tentativa frustradas de domar o capitalismo como previu Karl Marx, a distribuindo comida hoje nos EUA são evidencias do fracasso do ocidente como projeto civilizatório. Esperamos que a China com seu projeto mais igualitário e de projetamento da sociedade nos brinde com uma nova forma de construirmos nossa sociedade e criar algo mais humano, igualitarista e com mais justiça social. Preparemo-nos.

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