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Eleições Americanas: Trump perdeu, mas a ilusão da mudança e o império continuam

Última atualização em 5 de novembro de 2026 Jornalista RenatoGlobol

Enquanto o Ocidente celebra o recuo do trumpismo, o Sul Global continua pagando o preço de um imperialismo que não escolhe partido.


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Na última terça-feira, as urnas nos Estados Unidos falaram, e o resultado das eleições americanas trouxe um alívio visível para grande parte do mundo. A derrota da ala trumpista e o recuo do seu projeto de poder são, sem dúvida, motivos para celebrar. É legítimo respirar fundo. Ver a democracia americana — já tão fragilizada — se afastar da beira do abismo autoritário é um passo importante para os próprios cidadãos dos EUA.

No entanto, enquanto os noticiários e as redes sociais transbordam em festejos como se o mundo estivesse salvo, é preciso fazer uma pausa para um banho de água fria. Precisamos olhar para além das fronteiras do país e para fora da bolha midiática que cerca as eleições americanas.

A verdade inconveniente que poucos querem admitir é que não há esperanças de mudanças substanciais na política global após as eleições americanas, simplesmente porque os dois partidos que se alternam no poder servem aos mesmos mestres, perpetuando a ilusão do “mal menor” e a continuidade do império militar.

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A metáfora dos dois aviões

Eleições Americanas: Trump perdeu, mas a ilusão da mudança e o império continuamPara ilustrar o que quero dizer de forma clara, peço que você imagine o céu. Nele, voam dois pesados aviões de caça, carregados até o bico com bombas.

O primeiro avião tem a pintura do Partido Republicano. Em suas asas, tremulam com orgulho as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Seu discurso é o da força bruta, do nacionalismo ufanista, da promessa de “grandes” guerras e da supremacia sem disfarces.

O segundo avião ostenta as cores do arco-íris e a estética da diversidade da comunidade LGBTQ+. Em sua fuselagem, lê-se a palavra “Democratas”. Seu discurso é o da inclusão, dos direitos humanos, da diplomacia, do multilateralismo e da proteção das minorias.

Mas há um detalhe crucial, um detalhe que a mídia tradicional faz questão de esconder: ambos os aviões estão sobrevoando o Sul Global, o Oriente Médio e territórios ocupados. E ambos, sem exceção, apertam o mesmo botão e lançam as mesmas bombas sobre civis inocentes.

A estética muda, a bomba é a mesma

A derrota de Trump nos afasta do primeiro avião, aquele que faz questão de exibir a violência de forma explícita. Mas o segundo avião continua intacto. A diferença é que a elite democrata utiliza a retórica progressista, a bandeira LGBTQ+ e o discurso de “direitos humanos” como um escudo moral para sanitizar o imperialismo.

Eles bombardeiam, sancionam e estrangulam economias de países soberanos, mas fazem isso dizendo que é para “proteger a democracia” ou “defender minorias”. A bomba que cai sobre um campo de refugiados ou sobre uma nação do Sul Global não pergunta qual é a orientação sexual do piloto que a soltou, nem qual é a festa do presidente que a autorizou. A destruição é a mesma. O luto das mães e dos filhos é o mesmo.

Onde fica a esperança?

Não me entenda errado: é fundamental apoiar as lutas internas dos americanos contra o fascismo e o reacionismo. O trumpismo é um perigo real. Mas nós, o resto do mundo, não podemos cometer o erro de trocar um gerente da casa por outro e achar que a estrutura do prédio foi demolida.

Enquanto o povo americano e o resto do mundo não perceberem que a verdadeira divisão não é entre Republicanos e Democratas, mas sim entre a elite global que lucra com a guerra e a vasta maioria da população mundial que paga o preço por ela, continuaremos reféns da mesma máquina.

Celebre a derrota do autoritarismo nas eleições americanas, sim. Mas não guarde esperanças de que o império mudará de natureza. O céu continuará cheio de aviões, e enquanto a população não olhar para cima e exigir que nenhum deles decole, as bombas continuarão caindo.

E você? Acredita que a retórica progressista de um dos lados é suficiente para frear a máquina de guerra imperial, ou a ilusão já foi desmascarada há tempos? Deixe sua opinião nos comentários abaixo!

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