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Última atualização em 9 de dezembro de 2024 Jornalista RenatoGlobol

Dia das Mães: uma celebração universal do cuidado que sustenta a vida

Escrever sobre o Dia das Mães exige mais do que repetir frases prontas ou reproduzir a estética confortável das vitrines. A data atravessa fronteiras, idiomas, religiões e sistemas políticos. Em qualquer parte do planeta, a figura materna — biológica, adotiva, coletiva, escolhida ou ancestral — representa algo que nenhuma economia conseguiu substituir: o cuidado que torna a vida possível.

Por isso, assumir um ponto de vista é inevitável. Celebrar o Dia das Mães não pode ser apenas um ritual de consumo globalizado, embalado por campanhas publicitárias semelhantes em Nova York, São Paulo, Lagos, Tóquio ou Paris. A verdadeira homenagem começa quando reconhecemos que, por trás de cada gesto de carinho, existe uma história concreta de trabalho invisível, renúncia silenciosa e resistência cotidiana.

O Dia das Mães só alcança sentido pleno quando deixa de ser uma data decorativa e passa a ser um espelho da realidade humana. E essa realidade, em grande parte do mundo, ainda é marcada por desigualdade, sobrecarga feminina, violência estrutural e falta de reconhecimento social.

Celebrar, portanto, é também enxergar.


A maternidade como fundamento invisível das sociedades

Nenhuma civilização teria sobrevivido sem o trabalho diário de quem cuida. Alimentar, proteger, ensinar, consolar, organizar, acompanhar o crescimento e sustentar emocionalmente outras vidas são tarefas que raramente aparecem nas estatísticas econômicas, mas sustentam todas elas.

Em diferentes continentes, mães acordam antes do amanhecer para trabalhar em fábricas asiáticas, plantações africanas, hospitais europeus, escolas latino-americanas, escritórios norte-americanos ou cozinhas domésticas espalhadas pelo mundo. Muitas recebem menos que homens. Outras não recebem nada. Ainda assim, seguem garantindo que a vida continue.

Chamar isso apenas de “amor materno” pode ser bonito, mas também pode esconder uma verdade incômoda: grande parte do planeta depende de um trabalho essencial que permanece desvalorizado.

Romantizar o sacrifício nunca foi uma forma justa de homenagear. Reconhecer, sim.


Entre presentes e dignidade: o que realmente honra uma mãe

Flores atravessam culturas. Cartões escritos à mão sobrevivem às gerações. Almoços em família, quando possíveis, criam memórias que permanecem por décadas. Nada disso é pequeno. O afeto simbólico tem valor real.

Mas existe uma pergunta que precisa acompanhar qualquer celebração sincera:
que tipo de mundo estamos oferecendo às mães que dizemos amar?

Em muitos países, mulheres ainda enfrentam mortalidade materna evitável, ausência de licença parental digna, falta de creches, violência doméstica tolerada, desigualdade salarial e jornadas exaustivas. Nenhum presente compensa a ausência de direitos básicos.

A homenagem mais profunda não cabe em embalagens. Ela aparece quando sociedades inteiras decidem proteger quem cuida. Quando políticas públicas priorizam saúde, educação, segurança alimentar e autonomia econômica feminina. Quando o cuidado deixa de ser obrigação solitária e passa a ser responsabilidade coletiva.

Amor verdadeiro sempre produz justiça concreta.


Mães invisíveis: aquelas que o mundo insiste em não ver

Uma celebração universal só é honesta se incluir quem costuma ser esquecida.
As mães solo que sustentam famílias inteiras.
As mães refugiadas que atravessam fronteiras para salvar filhos da guerra.
As mães negras que enfrentam racismo estrutural.
As mães indígenas que defendem território, cultura e futuro.
As mães que perderam filhos para a violência ou para a fome.
As mães que não puderam escolher ser mães, mas ainda assim escolheram cuidar.

Ignorar essas histórias transforma a data em privilégio seletivo.
Incluí-las transforma a celebração em consciência humana.

Tomar partido, aqui, não é gesto ideológico vazio. É reconhecer que nenhuma sociedade pode se considerar civilizada enquanto parte de suas mães vive sob abandono.


O cuidado como resistência em um tempo de indiferença

O mundo contemporâneo convive com avanços tecnológicos extraordinários e, ao mesmo tempo, com níveis alarmantes de brutalidade social. Discursos de ódio se espalham com velocidade digital. A empatia parece, às vezes, um recurso escasso.

Nesse cenário, o cuidado materno ganha dimensão política. Não como ideal romântico, mas como prática concreta de preservação da vida diante da indiferença. Cada gesto de proteção, cada refeição preparada, cada palavra de encorajamento dita em silêncio cotidiano é, de certa forma, um ato de resistência contra a desumanização.

Celebrar o Dia das Mães torna-se, então, uma escolha civilizatória.
Significa afirmar que a ternura ainda importa.
Que proteger vidas é mais importante do que competir por poder.
Que nenhuma tecnologia substitui o vínculo humano.

Quando o cuidado é valorizado, a própria ideia de futuro se torna possível.


Comunidade, memória e pertencimento: o que permanece além do tempo

Em todas as culturas, a figura materna está ligada à memória coletiva. Receitas transmitidas entre gerações, histórias contadas antes de dormir, músicas cantadas em línguas antigas, rituais simples repetidos ano após ano. Esses gestos constroem identidade, pertencimento e continuidade.

Mesmo quando a mãe já não está fisicamente presente, sua influência permanece moldando escolhas, valores e afetos. Celebrar o Dia das Mães também é dialogar com ausências, agradecer silenciosamente a quem abriu caminhos e reconhecer que somos, em parte, feitos do cuidado que recebemos.

Há uma dimensão quase espiritual nisso, ainda que não religiosa:
o cuidado atravessa o tempo.


Uma celebração que precisa apontar para o futuro

Se o Dia das Mães for apenas memória, ele se esgota.
Se for também compromisso, ele se transforma.

O verdadeiro sentido dessa data está em perguntar que mundo deixaremos para as próximas gerações de mães. Um mundo mais desigual ou mais justo? Mais violento ou mais protetor? Mais solitário ou mais solidário?

Não existe neutralidade possível diante dessas escolhas.
Valorizar mães significa defender vida digna, igualdade real e proteção social ampla.
Qualquer projeto de sociedade que ignore isso está, no fundo, negando o próprio futuro humano.


Conclusão: amar as mães é cuidar do mundo

O Dia das Mães pertence a todas elas.
Às que estão perto e às que vivem do outro lado do planeta.
Às que falam idiomas diferentes.
Às que têm histórias felizes e às que carregam dores profundas.
Às que escolheram a maternidade e às que a vida conduziu até ela.
Às presentes e às eternas.

Celebrar mães é reconhecer que o cuidado sustenta a humanidade inteira.
É transformar gratidão em responsabilidade.
É entender que nenhuma homenagem é completa enquanto existir uma mãe sem dignidade.

Flores continuarão sendo oferecidas.
Abraços continuarão emocionando.
Palavras continuarão tentando explicar o que quase não cabe na linguagem.

Mas a homenagem mais verdadeira acontece quando decidimos construir um mundo onde cuidar não seja sacrifício solitário, e sim valor compartilhado.

Se essa consciência crescer, então o Dia das Mães deixará de ser apenas uma data.
Será um lembrete permanente de que amar quem nos deu a vida significa, no fim das contas, proteger a própria vida em todas as suas formas.

E isso vale para qualquer mãe.
Em qualquer lugar.
Em todo o mundo.

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