Antes de mandar os pobres pra guerra, que tal mandar os bilionários pra fila do INSS?
Como o Solarpunk me ensinou que tanques são menos urgentes que taxar fortunas e erradicar a pobreza
A guerra dos outros e a conta nossa
Ah, a guerra! Esse passatempo predileto das elites entediadas, que adoram brincar de “War” com soldados de verdade e lágrimas alheias. Enquanto isso, nós, os meros mortais, pagamos a conta com sangue, suor e boletos vencidos.
Sabe o que é engraçado? Eles fazem questão de dizer que “o sacrifício é necessário” — claro, contanto que o sacrifício venha do outro. No caso, do pedreiro, da balconista, do motoboy e do estagiário de humanas. Porque, veja bem, bilionário não vai pro campo de batalha, não. Ele vai pro camarote da guerra, com ar-condicionado, wi-fi e contratos de reconstrução já assinados.
E enquanto nossos jovens treinam com fuzis emprestados, eles brindam com champanhe francês. Quando as bombas caem, eles já estão a quilômetros, recolhendo lucros de empresas que fornecem desde munição até cimento para reconstrução. Guerra, para eles, é investimento. Para nós, é luto.
Mas e se, antes de mandar os filhos dos pobres para o front, a gente mandasse os bilionários para a fila do INSS? Ou melhor, para a linha de frente? Afinal, se eles amam tanto a pátria, que tal defendê-la com o próprio corpo?
Bilionários, esses patriotas de helicóptero
Bilionário adora dizer que ama o país. Ama tanto que mantém o dinheiro em paraísos fiscais, os filhos em escolas suíças e a saúde em hospitais americanos. Mas, na hora de defender a pátria, quem vai? O Zé da esquina, que mal tem dinheiro para o ônibus.
É sempre a mesma ladainha: “precisamos defender a democracia!”. Ok. Mas quem vai pra trincheira? É o mesmo que se atrasa pra pagar o aluguel, que chora no fim do mês quando vê o contracheque sendo devorado por juros. O bilionário? Esse já defendeu tudo que precisava: o patrimônio.
Se guerra fosse boa, bilionário estaria na linha de frente. Mas não, eles preferem financiar campanhas políticas e comprar ações de empresas de armamentos. Afinal, é mais lucrativo. E convenhamos, morrer é um péssimo investimento.
Aliás, bilionário só vira patriota em época de crise. Na bonança, ele é cidadão do mundo. Quando o bicho pega, ele vira nacionalista raiz — mas só no Twitter e nas colunas da Forbes.
E mais: fazem questão de investir em segurança privada, condomínios fechados e câmeras em cada canto. A pátria, para eles, começa e termina no próprio CPF.
Solarpunk, ou como imaginar um mundo sem bilionários
O movimento solarpunk propõe um futuro onde a tecnologia serve à comunidade, não ao lucro. Onde a energia é renovável, e não renovada a cada aumento de tarifa. Onde a riqueza é compartilhada, e não acumulada em cofres suíços.
No universo solarpunk, antes de pensar em guerra, pensa-se em justiça social. Antes de investir em tanques, investe-se em educação. Antes de mandar jovens para morrer, manda-se bilionários para pagar impostos. Simples, direto, eficiente.
E mais: nesse futuro imaginado, a guerra não é solução. É sintoma de falência moral. E ninguém mais engole essa conversa fiada de que “a guerra gera empregos”. A escravidão também gerava — e nem por isso vamos reabilitá-la no mercado.
A estética solarpunk é bonita, sim — com suas cidades verdes, arquitetura integrada à natureza e cooperativas digitais. Mas mais do que beleza, ela carrega ética. É um convite ao cuidado, à coletividade e ao abandono da lógica predatória que nos trouxe até aqui.
Em vez disso, que tal investir em cidades sustentáveis, redes comunitárias de solidariedade, agricultura regenerativa e transportes coletivos dignos? Parece loucura? Mais louco é repetir as mesmas burrices e esperar resultados diferentes.
A fila do INSS como campo de batalha
Quer testar o patriotismo de um bilionário? Mande-o para a fila do INSS. Sem privilégios, sem assessores, sem ar-condicionado. Apenas ele, o povo e a burocracia. Se ele sair de lá ainda acreditando que o Brasil é o melhor país do mundo, dou minha cara a tapa.
Porque veja, enfrentar a guerra é moleza quando você tem bunker, segurança privada e um passaporte europeu. Difícil mesmo é encarar o perrengue do povo comum. Acordar às 4 da manhã, pegar ônibus lotado, trabalhar 12 horas e ainda ouvir do patrão: “Você precisa se esforçar mais”.
Então, antes de mandar jovens para a Ucrânia, para Gaza, para Taiwan, que tal mandar o CEO da XP, o dono do Facebook, ou aquele banqueiro simpático que cobra juros de 500% ao ano, para passar uma temporada no SUS?
Ou talvez, que tal criar um programa obrigatório: “Bilionário por um dia” — onde os ricaços viveriam 24 horas como o povo vive todos os dias. Aposto que mudaria muita opinião por aí.
O Solarpunk como antídoto à insanidade coletiva
O solarpunk nos convida a imaginar: e se a utopia não fosse um delírio, mas uma escolha política? E se o impossível fosse apenas aquilo que os ricos dizem que não dá pra fazer?
É por isso que defendo — com todas as letras, vírgulas e exclamações — um pacto solarpunk: nenhum centavo a mais pra tanques antes de taxar as fortunas. Nenhum drone voando antes de universalizar o saneamento básico. Nenhum grito de guerra antes de um grito de justiça.
Afinal, não existe defesa nacional quando metade da população vive na insegurança alimentar. Não existe soberania quando o país depende de magnatas que sequer moram aqui. E não existe futuro se ele for construído sobre os escombros da desigualdade.
O solarpunk é um exercício de imaginação radical, mas também de ação prática. Cada horta comunitária, cada bicicleta a mais na rua, cada painel solar em um telhado periférico, cada rede de troca justa — tudo isso é resistência.
Em vez de conclusão, um chute na porta
Antes de mandar os pobres para a guerra, que tal mandar os bilionários para a fila do INSS? Ou para a linha de frente? Ou, no mínimo, para a Receita Federal?
Porque enquanto a lógica for proteger fortunas e sacrificar vidas, estaremos sempre em guerra. Mas se invertermos essa lógica, talvez possamos finalmente alcançar a paz. Ou, no mínimo, um pouco de decência.
E se algum liberalzinho vier com papo de meritocracia, de liberdade individual ou de livre mercado… bem, que ele vá defender essas ideias com um fuzil nas costas. No meio do deserto. Sem wi-fi. E sem seguro-saúde.
E lembre-se: imaginar um mundo diferente é o primeiro passo para construí-lo. Mas para isso, precisamos parar de normalizar o absurdo e começar a exigir o óbvio: vida digna, justiça fiscal e paz real — não só para alguns, mas para todos.
Nota do autor:
Este texto foi escrito propositalmente no estilo irreverente e crítico para que com a ironia e sarcasmo, nos fazer rir e pensar sobre as mazelas da sociedade brasileira. Que possamos continuar esse trabalho, questionando os poderosos e defendendo os oprimidos com uma boa dose de insolência e cafeína.
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